Concebida pelo saxofonista e compositor Thiago França, a Charanga é um dos marcos da retomada do carnaval de rua paulistano. O bloco aposta na contramão dos grandes espetáculos amplificados: funciona como uma orquestra de chão, sem palco, sem caixas de som e sem separação entre músicos e foliões.
Com mais de 150 instrumentistas, o cortejo devolve a música à escala humana. Não há vocalistas; quem canta é a multidão, transformando o desfile em um coro espontâneo onde todos são protagonistas. Para Thiago — músico do Metá Metá com passagens por palcos de Elza Soares e Tony Allen — o carnaval é uma ferramenta de cidadania. Ao ocupar a rua de forma orgânica, o bloco convida as pessoas a enxergarem a cidade não como passagem, mas como um espaço de convivência, afeto e transformação social.